Escrevi um novo texto. segue abaixo.
Autor: Dario Souza da Silva
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O tempo que à ele parecia tão apressado naqueles dias, de súbito parou. Tudo era a mais absoluta calma. O vento era fresco e suave como nas graciosas manhãs das primaveras tropicais. Os pássaros tornaram a entoar suas doces e alegres melodias matinais. O Sol raiava no horizonte num amarelo ouro reluzente que ele nunca antes vira, tamanha era a sua beleza. O som do vem e vai das ondas agora lhe era tão nítido que ao invés de acalma-lo, convidava-o a um mergulho.
Naquele dia um simples folhear de revista, um trejeito qualquer de alguém que outrora passaria despercebido, uma pequena formiga carregando, provavelmente para o ninho, uma folha muito maior que se supõe que suportaria. Um chiclete sendo mastigado, uma gota escorrendo de uma garrafa de refrigerante recem aberta. Tudo lhe chamava a atenção.
O ônibus que de costume lhe causava perturbação devido a quantidade de pessoas, sons e situações que ali ocorriam. Como na ocasião em que o cobrador ajudou uma moça a descer da condução e encantado com sua beleza esquece-se de retornar para o veículo, ficando ali esquecido pelo motorista que nem notara sua falta até que alguém o avisou. O fato é que ele continuava ali estarrecido com o bucólico arrastar dos segundos.
Olhou então para o seu relógio e reparou que o ponteiro não pulava de um segundo para o outro, mas sim deslizava num suave e quase imperceptível movimento. O movimento dos ponteiros do seu relógio era constante. Então, como podia estar o tempo tão devagar naquele dia? – Indagou-se então se o problema não seria com a pilha do aparelho. – Já não fazem mais pilhas como antigamente – pensou. Neste momento sua atenção se voltou para fora do ônibus, já estava se aproximando do seu destino. Desceu do coletivo como que se estivesse acontecendo uma solenidade cheia de cerimônias e burocracias. Nunca antes se ateve a quantidade de tarefas necessárias para se descer de um ônibus.
Entrou no estabelecimento e apresentou-se. – Pois não, pode aguardar um momento por favor, vou anunciar sua chegada. – responde-lhe a simpática recepcionista, com um sorriso daqueles que se consegue pronunciando a letra x, e articulando bem os músculos da face. Sentou-se numa poltrona que havia no canto da sala, pegou em seu bolso um plástico bolha e começou a estoura-lo. Conseguiu notar cada movimento de cada bolha ao ser estourada. Percebia perfeitamente como a bolha ao ser apertada de inchava, seu plástico envoltório ia se esticando até que chegava ao limite da sua resistência e lentameente começava a rasgar-se formando uma fissura. Pelo furo criado saia o ar lentamente seguido de um estralo demorado. Algum tempo depois a moça retornou anunciando que poderia entrar.
Ele levantou e caminhou e dirigiu-se até a outra sala. passou por um longo corredor no qualhaviam obras de arte de picasso, – réplicas provavelemente – pensou ele enquanto caminhava. Sentiu que seu coração havia acelerado um pouco, ouvia o barulho dos seus passos como se fossem bombas a explodir sobre o alvo. E então alguém lhe estendeu a mão.
Naquele dia o tempo havia parado. E parou porque ele tinha medo de dentista e se encontrava agora sentado na cadeira, prestes a abrir a boca e sentir gosto amargo que a coragem deixa quando se esvai.
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by [|-DaRio-|]

O mundo sempre dará voltas absurdas das quais lembramos com frequência. Ás vezes paramos no tempo para as reflexões das nossas ações, mas isso não significa que estamos perdendo tempo. O tempo é algo precioso sim, mas tem pessoas que não se dão conta de que para deixar um lugar e ir para outro há tempo envolvido nisso. E, no trajeto sendo um momento para fazer mais alguma coisa não aproveitam disso. Adorei seu texto. Sua escrita é sucinta e simplória.